A Teoria dos Estrangeirismos de Hridayananda Maharaj Contém Falhas Fundamentais

A Teoria dos Estrangeirismos de Hridayananda Maharaj Contém Falhas Fundamentais

Carta de Shyamasundara Dasa a Hridayananda Dasa Goswami

Hridayananda Dasa Goswami disse:

“Krishna está totalmente presente na mente do devoto puro, então eu não duvido que Prabhupada está vendo a Krishna. Porém, eu não tenho certeza de que em tais visões espirituais, Prabhupada está olhando para 5000 atrás de seu tempo. Logo, eu creio que as visões de Prabhupada são ‘trans-históricas’, além da história.

Por exemplo, no Krishna Book, Prabhupada diz que para a celebração original de Govardhana, Krishna instruiu aos moradores que preparassem halavah. A palavra ‘halvah’ vem da raíz árabe ‘halwa’, ‘doce’. Halva é uma preparação ou confeitaria provavelmente levada até a Índia pelos muçulmanos. Meu ponto: se Prabhupada nos diz que Krishna come halavah, então eu aceito que Krishna come halavah. Mas eu não tenho certeza de que Krishna comeu halavah há 5000 anos atrás.”

Caro Hridayananda Dasa Goswami,

Por favor aceite minhas humildes reverências. Todas as glórias a Srila Prabhupada.

Bhakti-vigna vinasha Narasimhadeva ki-jaya!

Há muitos textos interessantes que foram publicados recentemente, mas agora eu não posso comentar sobre eles. Porém, eu gostaria de comentar sobre esse ponto específico de Maharaja.

O argumento que o senhor está propondo é algo comum no mundo da Indologia: aquela de que o país de origem de um estrangeirismo, nesse caso ‘halavah’, é o criador do conceito descrito por aquela palavra. Isso não é uma fórmula segura, porque embora possa ser verdade para alguns casos, não é uma verdade fundamental, pois existem tantas exceções à regra.

Vamos olhar para a palavra ‘halavah’ que o senhor diz ser um doce. Halwai é uma palavra genérica descrevendo confeiteiros em certas partes da Índia e ‘halava’ é uma palavra genérica descrevendo muitos tipos de doces na Índia.

No Mediterrâneo da Antiguidade, os únicos agentes adoçantes usados na culinária de que tenho conhecimento eram o mel e o suco de uva concentrado ( eu pesquisei em alguns livros de culinária da Roma Antiga há vários anos atrás, e nada ali era sequer vagamente semelhante com a cozinha italiana moderna, exceto pelo vinho ). Eles não tinham açúcar. O açúcar veio da Índia. Então, de acordo com essa teoria, o país de onde se originou o açúcar não sabia como fazer doces.

O açúcar não foi introduzido no Ocidente até o contato islâmico com a Índia.

No caso do açúcar, a etimologia reflete a disseminação dessa mercadoria. A palavra inglesa ‘sugar’ se origina do árabe e do persa ‘shakar’, os quais por sua vez derivam do sânscrito Sharkara.

O Halavah passou ao uso comum na Índia para decrever doces durante o tempo da conquista islâmica, mas isso não significa que o conceito de halavah – doces – veio de fora da Índia. Isso seria simplesmente absurdo, mas ainda assim, é essa a teoria. Ela diz que o país de origem do estrangeirismo é o criador do conceito descrito pela palavra estrangeira: essa teoria propõe um absurdo.

Vamos tomar alguns exemplos. Srila Prabhupada diz que Krsna e outros viviam em “houses” (casas) que é uma palavra em inglês. Isso significa que o conceito de casa não existia antes da vinda dos ingleses à Índia? O que dizer então das muitas lojas de “books” (livros) na Índia? Book é um estrangeirismo vindo do inglês mas o conceito de book com certeza existia antes da chegada dos ingleses, como nas palavras pustaka e grantha.

Aqui está um bom exemplo de verdade: a palavra “camelo” foi introduzida na Índia pelos gregos. De acordo com a teoria de que o país de origem do estrangeirismo é o país criador do conceito, então sugeriríamos que o conceito de camelo não existia na Índia mas foi introduzido pelos gregos. Isso é obviamente um absurdo, porque o sânscrito “ustra” (camelo) é nativo da Índia, mas não é nativo da Grécia. Esse último exemplo foi apontado por Basham em “The Wonder That Was India” ( A Maravilha que Era a Índia ).

Sendo assim, eu seria extremamente cuidadoso em construir teorias baseado em estrangeirismos. A palavra ‘halavah’ suplantou a palavra nativa indiana para doces porque ‘halavah’ era a palavra usada pelas classes governantes por centenas de anos, mas eles não inventaram ao conceito, doces eram nativos da Índia porque o próprio açúcar veio da Índia.

Então não há dúvida de que doces, seja lá por qual nome o senhor quiser chamá-los, eram comidos pelo Senhor Krsna, conforme descrito por Srila Prabhupada.

Seu humilde servo,

Shyamasundara Dasa

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